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Azeite brasileiro fino

Muitas regiões brasileiras começam a produzir azeite de oliva de altíssima qualidade, e a conquistar o consumidor sofisticado

Por: Maria Edicy Moreira


Sede de produção dos Azeites Batalha, em Pinheiro Machado, RS

O Brasil é grande consumidor de azeites importados. Entre 70 e 80 milhões de litros são importados anualmente. A partir de pouco mais de uma década para cá o país vem buscando se consolidar também como produtor desse precioso líquido, que tem as mediterrâneas Espanha, Portugal, Itália e Grécia como principais produtores e consumidores. A produção nacional é minúscula diante dos números de importação. De acordo com especialistas a produção nacional supre entre 1% e 5% a demanda local.

Apesar disso, o otimismo é grande. “O Brasil ainda está engatinhando na produção de azeites, nossa olivicultura é muito jovem, mas os resultados demonstram que há um grande potencial a ser explorado”, afirma Luiz Fernando Oliveira, coordenador do Programa Estadual de Pesquisa em Olivicultura da Epamig, MG.

“Temos todas as condições para olivais de alta produtividade e azeites de excelência. Observamos o futuro com grande entusiasmo pelo fato de termos um crescimento rápido das oliveiras, entrada em produção precoce e azeites que concorrem com qualquer outro do mundo”, afirma José Alberto Aued, sócio da Olivas do Sul.

Olival da família Batalha, no paralelo 31 Sul, região propícia ao cultivo de oliveiras

Ele observa que quando a nossa olivicultura é comparada com a do Velho Mundo, temos muitas vantagens e algumas poucas desvantagens. As principais estão relacionadas ao solo. No Brasil predominam solos ácidos, então há de corrigi-los de forma adequada, enquanto na Europa os solos são alcalinos. Em contrapartida eles têm solos pobres enquanto nós temos solos ricos, o que nos dá uma vantagem acentuada.

Com relação ao Rio Grande do Sul como produtor de azeites, Aued observa que a olivicultura é a cultura que mais cresce no Estado. “Temos a certeza de que seremos referência no mundo, é só uma questão de tempo. Necessitamos avançar, testando e adaptando novas cultivares ao nosso solo e clima.

Apenas para dar um exemplo, a Itália trabalha com 900 cultivares, enquanto nós trabalhamos com aproximadamente 10 cultivares. A oliveira mais velha da Itália tem 4.000 anos e está localizada na Sardenha. Nós iniciamos o que chamo de ‘nova olivicultura’, com base em técnicas e estudos aprimorados há 15 anos. Temos muito a crescer, mas o que foi feito nos últimos anos é muito animador e promissor.”

Além da alta qualidade alcançada pelos produtores nacionais, comprovada por premiações internacionais, a grande vantagem de o Brasil se tornar um produtor de azeites está na possibilidade de o consumidor ter em mãos um azeite fresco, fator que valoriza ainda mais a qualidade do produto.

Acima, o pequisador Luis Fernando de Oliveira, da Epamig, MG

“Vale destacar que um dos aspectos de qualidade mais relevantes para o azeite é seu frescor e, nesse aspecto, temos nosso maior diferencial: em poucas horas ou dias após a extração, nossos azeites já podem ser consumidos por todo Brasil em seu ápice de sabor”, afirma Moacir Batista do Nascimento Filho, presidente da Assolive, Associação dos Olivicultores dos Contrafortes da Mantiqueira.

Por isso, o entusiasmo dos produtores de azeites do Rio Grande do Sul, Minas Gerais e São Paulo. Existem produtores também no Paraná, Santa Catarina, Rio de Janeiro, Espírito Santo e até na Bahia, em menor escala. Por ter ganhado ares verdadeiramente comerciais apenas há pouco mais de uma década, a juventude da olivicultura brasileira faz com que a maioria dos olivais ainda nem tenha começado a produzir os primeiros frutos. Estima-se que o país tenha 10 mil hectares de olivais e menos de um terço tenha entrado em produção.

O Rio Grande do Sul, por exemplo, Estado que mais produz azeites no país, conta com uma área plantada de 6 mil hectares, mas somente 2,1 mil em produção. Assim, durante a safra de 2021, foram produzidos 202 mil litros de azeite. A expectativa para 2022 é aumentar essa produção em 30%.

De acordo com um relatório de 2021 do programa Pró-Oliva, criado pela Secretaria de Agricultura do Rio Grande do Sul para apoiar os olivicultores, o Estado conta com 191 produtores, 15 lagares e 46 marcas de azeites.


Oliveiras recémcolhidas nas instalações da Epamig, empresa de fomento agrícola de MG

SUDESTE

No Sudeste, dois Estados, São Paulo e Minas Gerais, se destacam na produção de azeites. De acordo com Luiz Fernando de Oliveira, coordenador do Programa Estadual de Pesquisa em Olivicultura da Epamig, em Minas Gerais, o cultivo de oliveiras na Serra da Mantiqueira, que reúne a maioria dos produtores do Sudeste, acontece em 80 municípios, 60% deles em Minas Gerais. São 200 produtores e 29 lagares, que ocupam uma área de aproximadamente 3 mil hectares.

O presidente da Assolive, Associação dos Olivicultores dos Contrafortes da Mantiqueira, Moacir Batista do Nascimento Filho, observa que a maioria dos produtores é formada por donos de pequenos olivais, principalmente em Minas Gerais. Até o momento apenas 32 são associados da Assolive.

“A região Sudeste produziu em 2021 50 mil litros de azeite, e a expectativa para 2022 é chegar a 80 mil litros ou quem sabe 100 mil litros”, prevê Luiz Fernando, da Epamig. Segundo ele, diversos fatores têm colaborado para esse incremento na produção. Além das boas condições climáticas na época da floração, com ondas de frio no Sul de Minas Gerais no inverno de 2021, deve-se levar em consideração as novas áreas que estão entrando em produção e o crescimento anual de 20% das áreas plantadas no Sudeste.

Soma-se a isso a evolução dos produtores nas técnicas de manejo e tratos culturais, fatores que fazem com que as oliveiras produzam mais frutos. Além disso, as tecnologias vêm evoluindo, permitindo o aprimoramento dos processos produtivos e, consequentemente, a melhoria na qualidade dos azeites a cada ano.


Acima, olival da Prosperato, localizada na Campanha Gaúcha

As técnicas de extração e armazenamento do azeite também foram aprimoradas e os produtores passaram a entender mais sobre os fatores que contribuem para a boa qualidade do azeite, como colheita, ponto de maturação e controle fitossanitário para obtenção de frutos sadios.

E no lagar, os operadores e mestres lagareiros têm compreendido melhor os fatores que podem aprimorar a qualidade. José Alberto Aued, sócio da Olivas do Sul, observa que vários métodos e controles no lagar como temperatura da fruta, temperatura da pasta, tempo de batimento da pasta, velocidade da extração do azeite no decanter, entre outros, influenciam fortemente na qualidade final do azeite.

A Epamig pesquisa a cultura das oliveiras desde a sua fundação em 1974. Entretanto o trabalho com as oliveiras em Maria da Fé, Minas Gerais, data da década de 50. Durante esses anos a Epamig desenvolveu diversas ações para alinhar suas pesquisas com a criação do Núcleo Tecnológico Azeitona e Azeite e mais recentemente a criação dos Programas Estaduais de Pesquisa em 2013 e o de Olivicultura em 2016.

A grande maioria dos produtores de azeite atendidos pela Epamig estão nas altitudes da Serra da Mantiqueira, mas a empresa de pesquisa atende olivicultores de qualquer parte do país. Seus clientes recebem atendimento técnico com repasse de informações sobre a olivicultura, viveiro de mudas, análises laboratoriais e até extração do azeite.

Em 2021, os azeites nacionais conquistaram medalhas na Olio Nuovo Days Competition, em Paris; no Concurso Mundial de Azeites de Nova York (NYIOOC); no Brazil International Olive Oil Competition e em competições realizadas em outros países, como Itália, Portugal e Japão.


ASSOLIVE

A Assolive definiu uma delimitação geográfica considerando toda a Região Sudeste, inclusive municípios fora da Serra da Mantiqueira, para a qual está lançando o Selo de Origem Certificada Assolive, que garante a qualidade dos azeites produzidos pelos seus 32 associados. Segundo o presidente Moacir Batista do Nascimento Filho, o projeto é um piloto para 2022, devendo se consolidar nas próximas safras. “Esperamos ter uma forte adesão por parte dos associados”.

Acima, plantação de oliveiras da Borrielo na Fazenda Três Barras, em Andradas, MG

Ele explica que a Assolive possui papel institucional, representando seus associados junto aos órgãos oficiais de interesse, instituições de pesquisa e desenvolvimento (Universidades) e promove eventos técnicos sobre o manejo das oliveiras, plantio, nutrição, tratos culturais, controle de pragas e doenças. Como a Associação foi fundada a partir dos trabalhos desenvolvidos pela Epamig em Maria da Fé, a instituição é a maior parceira da Assolive na busca pela excelência na produção do azeite de oliva no Sudeste.


PARCERIAS

Produtores mais experientes estão ajudando os novos empreendedores a alavancar seus negócios na olivicultura.

Este é o caso da Tecnoplanta, que produz os azeites Prosperato, da Olivas do Sul, produtora dos azeites de mesmo nome no Rio Grande do Sul e dos azeites Batalha.

Em Minas Gerais e São Paulo produtores oferecem mudas, orientação técnica e serviços de extração de azeites para quem não tem lagar próprio, como a Oliva Br, que produz azeites de mesmo nome e dá consultoria em olivicultura; e a Fazenda Fio de Ouro, que produz o azeite de mesmo nome, compartilha técnicas de manejo dos olivais e oferece seu lagar para extração de azeites de terceiros.

“Nossa empresa atua em toda a cadeia produtiva da olivicultura, desde o fornecimento de mudas até os serviços de extração e envase de azeite. Tudo para incentivar o novo produtor que está pensando em investir na olivicultura e o pequeno que já possui seu olival e quer ter seu azeite extraído e envasado sem precisar ter seu próprio lagar”, afirma Rafael Marchetti, diretor da Tecnoplanta.

A Olivas do Sul tem atuação semelhante. Segundo José Alberto Aued, os serviços prestados aos novos empreendedores começam com a escolha da terra e vão até a instalação do lagar, passando pelo enraizamento das estacas, desenvolvimento e comercialização de mudas, formação do olival, fornecimento e instalação de equipamentos ou extração do azeite em suas instalações.

Com tantos movimentos em prol da olivicultura brasileira o que se vê é um cenário de otimismo com dedicados empreendedores buscando o máximo de conhecimentos no Brasil e no mercado mundial para alavancar seus negócios e aumentar a qualidade dos azeites que produzem. Também investem cada vez mais na formação de novos olivais, fazendo com que se vislumbre o Brasil como referência na olivicultura mundial, em um futuro não muito distante.


AZEITE BATALHA

O olivicultor Luiz Eduardo Batalha e sua família, um dos maiores produtores de azeites do país, encontrou no município de Pinheiro Machado, RS, junto ao paralelo 31 do hemisfério sul, o lugar ideal para o plantio de suas primeiras oliveiras, em 2010. Coincidentemente o paralelo 31 é referência em regiões conhecidas como grandes produtoras de vinhos e azeites na Argentina, Chile, Uruguai, África do Sul e Austrália.

Sede de produção dos Azeites Batalha, em Pinheiro Machado, RS

O empreendimento deu tão certo que começou na Fazenda Guarda Velha, na Serra do Sudeste, e já se expandiu para a Campanha Gaúcha, no município de Candiota-RS, onde os olivais estão sendo cultivados na Fazenda Seival. Ao todo a família Batalha conta com 126 mil pés de oliveiras, ocupando área de 500 hectares nas duas fazendas, e continua plantando.

Os olivais plantados em 2010 garantiram a primeira safra de azeites em 2014. Segundo Batalha a melhor safra foi a de 2021 quando foram colhidos 800 mil kg de azeitonas nas duas fazendas, Guarda Velha e Seival. A produção rendeu 126 mil litros de azeite. A safra de 2022 sofreu perda de 30% devendo resultar na produção de 80 mil litros de azeite.

Apesar dessa queda na produtividade das oliveiras, a qualidade do azeite não foi prejudicada, pelo contrário, o empresário observa que, devido à diminuição de líquidos nos frutos por causa da falta de chuvas no Rio Grande do Sul, os azeites desta safra estão se mostrando espetaculares com muitos polifenóis e picância, facilitando a composição dos blends ofertados pelos Batalhas: Azeite Batalha Frutado, Intenso e Black.

O olivicultor não se assustou com a queda na safra de 2022 porque já aprendeu que as oliveiras são semelhantes aos cafezais, alternando ano a ano alta e baixa produção. Além de produzir seus próprios azeites, os Batalha processam a produção de azeitonas para terceiros como Grupo Miolo, Galvão Bueno, Randon, entre outros.

Embora seus azeites sejam premiados nas mais importantes competições internacionais, Luiz Eduardo Batalha diz que não tem intenção de exportar sua produção, porque a demanda nacional é imensa e ele quer oferecer ao consumidor local a chance de consumir azeites no auge do frescor. “Eu produzo o azeite no Rio Grande do Sul e em 12 horas o produto está em São Paulo”.

Batalha observa que o Brasil é o segundo maior consumidor de azeites, com sua importação variando entre 70 e 80 milhões de litros, então há um mercado muito grande a ser explorado pelos produtores locais, e é nesse mercado que ele quer investir.


AZEITES PROSPERATO

A Tecnoplanta, tradicional empresa do ramo de produção de mudas florestais, que atualmente atua também como produtora dos azeites Prosperato, iniciou a produção de mudas de oliveiras na cidade de Barra do Ribeiro, RS, em 2011, e a implantação dos primeiros olivais naquela região. Para acelerar sua entrada no mercado de azeites, a empresa adquiriu um olival já em produção na cidade de Caçapava do Sul, RS, e em 2013 produziu sua primeira safra de azeites.


Rafael Marchetti, diretor da Tecnoplanta, produtora dos azeites Prosperato

“Em pouco tempo de trabalho colhemos os frutos dos esforços feitos nos últimos anos, o que nos motiva cada vez mais a seguir nesse caminho de qualidade superior, da fruta colhida no campo ao azeite na mesa do consumidor”, afirma Rafael Marchetti, diretor da empresa.

Hoje a Tecnoplanta concentra seus olivais em duas regiões: Na Costa Doce, próxima a Porto Alegre, nos municípios de

Barra do Ribeiro e Sentinela do Sul, e na Campanha Gaúcha, região central do Estado, nos municípios de Caçapava do Sul e São Sepé. A escolha por atuar em terroirs distantes um do outro, segundo Marchetti, tem a vantagem de garantir a produção de azeites todos os anos, pois, se o clima interferir em uma região, a outra pode ficar a salvo e garantir boa colheita.

Sobre a evolução dos azeites Prosperato nos últimos anos, o olivicultor diz que a produção tem aumentado de forma exponencial nos últimos anos, tanto pela melhoria do manejo técnico dos olivais quanto pelo aumento da produtividade das oliveiras já existentes, que estão mais velhas e, em função disso, produzem mais, além do aumento das áreas plantadas. A qualidade dos azeites também evolui progressivamente por causa dos investimentos na especialização dos técnicos.

Para a Tecnoplanta a melhor safra foi a de 2019, principalmente por causa do volume de azeitonas produzido. “As oliveiras entregaram uma carga muito grande de frutos. Em 2020 os bons resultados do ano anterior não se repetiram. Marchetti observa que, em uma situação análoga aos cafezais, que têm boas safras em anos alternados, a experiência pode ocorrer com os olivais, por isso, as oliveiras da Tecnoplanta não repetiram a alta produtividade de 2020. “Apesar da grande qualidade que tivemos naquele ano por conta do verão mais seco, podemos dizer que 2020 foi também nosso pior ano nos últimos cinco por conta da baixa produtividade das oliveiras”.

Para a safra de 2022, quando falamos com o olivicultor ele estava em plena colheita e se mostrou otimista com relação à produção dos olivais. “Esperamos que esta safra de 2022 seja a maior de todas, maior mesmo que a de 2019”. Segundo ele, a excelente safra de 2022 se deve ao aprimoramento no manejo dos olivais no que se refere aos aspectos nutricionais e à escolha certa da época e tipo de poda feita nas árvores.

“Além do grande volume de azeitonas, o verão seco de 2022 está contribuindo para termos azeites mais intensos, com mais polifenóis e, consequentemente, com mais qualidade. Algo muito semelhante ao que acontece na colheita da uva, na azeitona temos o mesmo efeito de qualidade com a seca na colheita, os frutos ficam mais concentrados, mais enxutos”.

“No ano passado produzimos aproximadamente 40 mil litros de azeite, somando todas as variedades. Para este ano esperamos ter aumento de pelo menos 30%”, afirma Marchetti.

O olivicultor comemora também o salto de qualidade alcançado pela sua empresa nos últimos anos, principalmente pelos fatores da sanidade da azeitona e métodos de colheita que garantem agilidade e aprimoramentos nos processos de extração aumentando a vida útil e a estabilidade dos azeites.

“Evoluímos muito e acreditamos ter chegado a uma constância de qualidade nas principais variedades que cultivamos: Arbequina, Arbosana e Koroneiki. Agora começamos a ter volumes de produção maiores, com variedades como Picual, Frantoio e Coratina, portanto há todo um universo novo a ser descoberto nesses fatores de qualidade, desde o ponto de maturação ideal até os processos de extração no lagar. Enfim, um aprendizado de qualidade que não terminará tão cedo para nós”.


Acima, José Alberto Aued, sócio da Olivas do Sul, do RS

OLIVAS DO SUL

A Olivas do Sul iniciou suas atividades no ramo da olivicultura em 2006, no município de Cachoeira do Sul, RS. Implantou um olival de 12 hectares com mudas de procedência espanhola. Posteriormente, a área plantada foi ampliada para 25 hectares e, atualmente conta com outro olival de aproximadamente 100 hectares no município de Encruzilhada do Sul, que entrou em produção em 2020.

Segundo José Alberto Aued, sócio, a safra de 2021 não foi boa. Houve problemas na floração entre setembro e outubro de 2020, mas em 2022 a safra vem mostrando melhores condições. O olival começa a atingir padrão em todos os aspectos: porte das oliveiras, poda, sanidade e carga de frutas muito boa.

“O Rio Grande do Sul sofreu uma estiagem histórica, mas a seca durante o crescimento e maturação das azeitonas não é problema e não causou queda na qualidade do nosso azeite. O que pode acontecer é uma pequena queda no rendimento. Em 2021 colhemos 80 mil kg de azeitonas e produzimos 8 mil litros de azeites. Para 2022 a expectativa é colhermos acima de 150 mil kg, o que é um ótimo número. Neste ano, vamos atingir mais de 15 mil litros, sem contar o acréscimo do olival de Encruzilhada do Sul que está entrando em produção e deverá render entre 4 mil e 5 mil litros de azeite”, afirma Aued.


OLIVAL SANTO ANTONIO

O médico cardiologista Jairo Monson de Souza Filho, morador da Garibaldi/RS, colunista da Vinho Magazine sobre vinho e saúde, começou a investir em um novo empreendimento para sua futura aposentadoria, focado na olivicultura.

Depois de dois anos de busca, ele e sua família: a esposa, Lúcia, as duas filhas, Bruna e Débora, junto com seu esposo, Daian, escolheram a dedo um terreno no município de Canguçu, RS, onde em 2015 começaram a cultivar as primeiras oliveiras, formando o Olival Santo Antonio, que hoje ocupa 40 hectares e produz os azeites Acrópole.


Caminho entre as oliveiras na Olivas do Sul, em Encruzilhada do Sul, RS

Inspirado na cultura grega, os acidentes geográficos, talhões, instalações e equipamentos usados no cultivo das oliveiras têm nomes de divindades gregas. O empreendimento prevê também a construção de uma réplica do templo de Atena, inspirado no original grego. Segundo a mitologia grega, foi a deusa Atena que deu origem às oliveiras: ela teria jogado seu cajado e no local nasceu a primeira oliveira.

A escolha das cultivares prioriza a variedade grega Koroneiki, dominante no olival. As variedades espanholas Arbequina e Picual, cultivadas em pequena escala, marcam presença como polinizadoras. Monson conta que em 2022 o Olival Santo Antonio deverá render uma safra de 3 mil litros de azeite e, dentro de dois ou três anos, deverá chegar a 30 mil litros, se as oliveiras estiverem em produção plena.

O empreendimento familiar tem com um jeito novo de produzir azeites. Além de gerar toda a energia que consome (solar) e utilizar técnicas avançadas e sustentáveis de implantação e manejo do olival e na extração do azeite, o Olival Santo Antonio produz mel de flores das oliveiras, que ajuda a garantir a qualidade dos azeites, atestando que o produto sai do lagar com zero resíduos químicos.

Bruna Vidor e Souza, filha do médico empreendedor, formou-se sommelière de azeites pela UCS (Brasil) e AICOO (Itália), e começa a cuidar da elaboração dos azeites, fazendo blends do azeite da Koroneiki com os azeites de Arbequina e Picual. Estes dois últimos em pequenos percentuais.

O azeite ainda está sendo extraído fora da propriedade, mas as instalações do lagar já foram construídas no Olival Santo Antonio e aguardam apenas a instalação dos equipamentos. Os Monson estão de olho em uma novidade que está surgindo na Europa: equipamentos que extraem o azeite por ultrassom.


Na Fazenda Fio de Ouro, a proprietária exibe a qualidade de suas azeitonas pretas

FAZENDA FIO DE OURO

Em Minas Gerais, as mulheres aparecem no comando da produção de azeites, caso de Alicia Moraes Gonçalves, sócia da Fazenda Fio de Ouro, que produz o azeite de mesmo nome em Maria da Fé. O olival, que começou a ser cultivado em 2009 e a produzir a primeira safra de azeites em 2013, conta hoje com 10 mil oliveiras em 48 hectares. A Fazenda Fio de Ouro trabalha com variedades como Arbequina, Arbosana, Picual e Manzanilla (Espanha); Coratina e Grappolo (Itália) e Koroneiki (Grécia).

Segundo Alícia, desde que começou a produzir azeites em 2013 não houve safra ruim. A produção tem apresentado um aumento sistêmico e significativo a cada safra. “Em média nossa produção tem aumentado 30% ao ano, isso se deve às inovações e cuidados desde o plantio, cultivo e extração do azeite, além do clima favorável. Em 2021, por exemplo, obtivemos o recorde de produção, com 120 toneladas e 15 mil litros de azeite. Para a safra 2022 a expectativa é colher 320 toneladas de azeitonas e produzirmos 40 mil litros de azeite”.

Além de seu próprio azeite, a Fio de Outro compartilha técnicas de manejo dos olivais e realiza para terceiros a extração em seu lagar, com capacidade para 4,5 toneladas por hora.

Acima, Carla Borriela brinca entre suas olivas em Andradas, MG

AZEITE BORRIELLO

O casal Carla Retuci e Mario Borriello começou suas atividades agrícolas na Fazenda Três Barras Castanhal, com o plantio de castanhas europeias, atividade que deu origem ao nome da propriedade, localizada no município mineiro de Andradas, próximo à divisa entre Minas Gerais e São Paulo, um dos 20 municípios de altitude nos contrafortes da Mantiqueira.

Com área total de 203 hectares, a formação dos olivais começou em 2008 com mudas das variedades Arbequina e Grappolo fornecidas pela Epamig.

Segundo Carla, a evolução da produção nos próximos anos tende a crescer, uma vez que começou com 700 oliveiras e atualmente conta com 10 mil plantas e continua introduzindo novas variedades visando à realização de outros blends. Em 2021 a Borriello produziu 3 mil litros de azeite e a safra de 2022 rendeu aproximadamente 3700 litros.

Olivas no pé na fazenda Fio de Ouro, em Maria da Fé, MG

“A qualidade dos azeites está relacionada aos cuidados com a planta: é preciso fazer as podas de maneira correta e colher as azeitonas no ponto certo de maturação. Em paralelo, é muito importante trazer as azeitonas para a máquina o mais rapidamente possível e ter agilidade no processo de extração. Esses pontos impactam fortemente a qualidade”, afirma Carla.


OLIVA BR

O engenheiro agrônomo Nilton Caetano, ex-pesquisador da Epamig por 40 anos e ex-presidente da Assolive, usa sua experiência para atuar como consultor na área de olivicultura, na região da Serra da Mantiqueira, em Minas Gerais e São Paulo. Seus serviços envolvem orientações técnicas sobre plantio, manejo e colheita de oliveiras dentro das condições do terroir da Serra do Sudeste.

Caetano também atua individualmente como um pequeno olivicultor. Começou a implantar seus olivais em 2012 e colheu a primeira safra em 2016.

Atualmente conta com 2 mil oliveiras plantadas em Minas Gerais, sendo 20% delas no município de Maria da Fé e 80% em Aiuruoca. Em 2022 colheu 15 toneladas de azeitonas e produziu 1500 litros de azeite.