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Concurso do Brasil 20 anos!

Em sua 20ª edição, o Concurso de Vinhos e Destilados do Brasil valoriza o produto brasileiro e oferece orientação ao consumidor.


Atrás, da esq. para a dir., Gérson Bonilha, Fernando Oliveira, Maria Paula, Léo Albertino, Jairo Martins, Márcio Dall'Osto, Eduardo Viotti, Paulo Greca, Celso Masson, Zé Luiz Tavares e João Almeida. À frente, da esq. para a dir.: Marcos Vian, Wesley Moreira, Renato Frascino, Maritê Dall'Osto, Zoraida Lobato, Bruno Videira Gláucia de Souza e Leandro Dias

Quando ninguém no Brasil falava de concurso de vinhos, e muito menos de concurso para destilados, a revista Vinho Magazine, que sempre teve como missão apoiar o crescimento do setor de bebidas no país apresentou ao mercado o primeiro concurso. Há 20 anos. E todos sabemos que um concurso, quando realizado com profissionalismo, ética e responsabilidade, resulta em melhoria no padrão de qualidade dos produtos, consolidação do setor, fidelização do consumidor e outros tantos benefícios.

No início, o concurso foi realizado com um parceiro internacional e tinha como patrocinador um hotel, o Hyatt, que emprestava seu nome ao evento.


Degustação seguiu protocolos de segurança, com distância entre os jurados

O cenário do setor vitivinicultor no Brasil, no início dos anos 2000, era de poucas vinícolas produzindo vinhos de uvas viníferas (o concurso só avalia vinhos finos, de uvas europeias).

Na primeira edição foram apenas 60 amostras, e as principais medalhas foram para vinícolas que naquele momento engatinhavam no mundo do vinho fino e hoje são grandes empresas, reconhecidas nacional e internacionalmente pela qualidade. Nesse primeiro evento, os principais medalhados foram a Miolo, Valduga e Peterlongo. Isso apenas mostra que os jurados estavam corretos: quem investe em qualidade cresce e tem seu valor reconhecido.

Na sala de apoio, do Hotel Resort Bourbon Atibaia, em SP, centenas de amostras aguardam a vez de serem catalogadas, ensacadas e servidas ocultas aos jurados

Quando se é pioneiro, há alguma vantagem por sair na “pole position”. Entretanto, é preciso desbravar territórios e romper preconceitos. E um dos desafios que enfrentávamos era que nem todos os produtores tinham confiança de outorgar a “estrangeiros e paulistas” a capacidade de julgar seus produtos. A solução encontrada foi levar o concurso para perto do produtor, onde ele pudesse ver, fiscalizar o concurso de perto, e assim, pouco a pouco, os produtores foram conhecendo o nosso trabalho e observando os resultados.

Mesmo com grandes problemas de logística, (em alguns lugares tínhamos que levar até as taças), resolvemos fazer o concurso itinerante: a cada ano numa região produtora e assim os produtores podiam chegar perto e ver… Foram tantas viagens, Pernambuco, Bahia, Rio Grande do Sul, entre outras.

Andamos de avião, ônibus, van. Em Petrolina, num calor de mais de 40 graus viajamos para conhecer as vinícolas da região do Vale do Rio São Francisco, num ônibus sem ar condicionado, numa estrada de terra vermelha sem fim… Um Brasil lindo, mas para alguns estrangeiros, intimidador. Mas na beira do Rio São Francisco, um vinhedo sem fim encantou a todos. Um mirante no meio das vinhas marcava as 4 estações e eles puderam confirmar que no paralelo 8, também se faz vinho, e do bom, a viagem tinha valido a pena para todos.

Chegar à noite na fria São Joaquim, SC, sem luz e sem Internet, depois de subir de ônibus a serra do Rio do Rastro, foi assustador para os Europeus. Pela manhã, entretanto, quando raiou o dia, a vida mudou: um lugar lindo, pessoas gentis e uma excelente degustação esperava os jurados.