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Marketing - palavra de ordem

Hoje o investimento mais importante que uma vinícola pode fazer no Brasil é no marketing de seus produtos


Por: Irineu Guarnier Filho

Há muitos –e bons– investimentos em vinhos de qualidade no Brasil, mas o mercado interno cresce pouco. O consumo nacional, estagnado há muito tempo em 1,8 litro de vinho por habitante ao ano, é ridiculamente baixo. Ainda precisamos desenvolver uma cultura do vinho no país, para que a bebida se torne, de fato, popular. Ou, pelo menos, mais consumida por quem dispõe de renda para beber com certa regularidade.

Precisamos de impostos menores, mas, principalmente, de escala de produção para termos preços mais acessíveis, pelo menos nos produtos mais simples. Também precisamos acelerar a reconversão dos vinhedos, de variedades americanas para vitiviníferas. Com uma produção de 80% de vinhos comuns, não seremos levados a sério em lugar nenhum do mundo. Embora ainda tenham importância social e econômica, as uvas americanas deveria ser destinadas exclusivamente para a elaboração de sucos. São excelentes para esta finalidade.



O Brasil é imenso, possui muitos climas e solos diferentes, e terroirs para a elaboração de todos os tipos de vinhos. A videira se adapta bem em quase todos os lugares. Além do Rio Grande do Sul, os Estados de Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Bahia e Pernambuco também estão começando a fazer bons vinhos finos.

O Planalto Catarinense, com altitudes acima de 1.300 metros, é um dos mais promissores terroirs brasileiros. especialmente para vinhos brancos, como Chardonnay e Sauvignon Blanc, e tintos leves, como Gamay e Pinot Noir. No Rio Grande do Sul, além da Serra do Nordeste, da Serra do Sudeste e da Campanha, há vinhos surpreendentes e deliciosos nos Campos de Cima da Serra. Essa região promete muito.

O Brasil –e em especial o Rio Grande do Sul– ainda podem melhorar bastante a qualidade de seus vinhos, com novos investimentos em agronomia, em enologia, em tecnologia, mas, principalmente, em marketing. Se as vinícolas brasileiras quiserem disputar de verdade o concorrido mercado global com marcas tradicionais do Velho e do Novo Mundo terão de investir muito mais do que investem hoje em marketing.

Claro, é preciso ter bons vinhedos, tecnologia de ponta, novos tanques de inox e boas barricas de carvalho, além de excelentes profissionais em todas as etapas de elaboração de um vinho. Antes de mais nada, é necessário elaborar vinhos de alta qualidade. Isso não se discute. Porém, de que adianta produzir um bom vinho se o consumidor não sabe que ele existe ou que aromas e sabores tem?

Assim, mais importante do que algumas barricas novas, do que uma prensa pneumática de última geração ou de uma nova linha de engarrafamento na vinícola, é o marketing. A construção de uma marca, de um nome. Um vinho tem de ter por trás de si uma tradição, a história de uma família, uma região, o rosto de um autor... Storytelling, como se diz hoje em bom português.

É essa ferramenta fantástica, o marketing, que torna um vinho conhecido muito além de sua região de origem, amado pelos enófilos de outros países, valorizado comercialmente, e, principalmente, consumido.

Por isso, se um produtor de vinho me pedisse um conselho, eu lhe diria que os três investimentos mais importantes em uma vinícola são: 1) marketing, 2) marketing e 3) marketing.

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