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Pinot Noir

A Megera domada - As proezas da Pinot Noir em 17 amostras de tintos de alto nível provenientes de regiões frias fora da França. A mais temperamental das uvas tintas parece ter sido finalmente domada.


A uva Pinot Noir prefere climas frios –e era considerada até ha pouco tempo como de difícil

aclimatação fora de sua região de origem. Na origem, o nordeste central francês, dá prestigiados tintos na Borgonha, e gran- des espumantes brancos e rosados na Champagne (ali, raramente em pureza, mas em combinação com outra Pinot, a Meunier, e com a branca Chardonnay. O nome Pinot de uma vasta família de uvas brancas e tintas –como Pinot Noir, Pinot Blanc, Pinot Gris, Pinot Meunier–diz respeito ao formato de seus cachos, que se assemelham a uma pinha (o fruto do pinheiro): em geral são mais largos no alto, perto do pedúnculo, e mais afilados na base, como em um cone invertido.

Neste painel de degustação, avaliamos 17 rótulos de tintos dessa uva provenientes de inúmeras regiões do mundo, menos da França. A ideia é mostrar como as téc- nicas de vitivinicultura têm feito surgir bons tintos dessa uva temperamental nas mais diversas regiões do globo.

Além disso, os Pinot Noirs borgonheses são muitas vezes supervalorizados, com preço frequentemente superior ao seu nível organoléptico (como em tudo, há notáveis exceções, mas essa é uma percepção bastante frequente).

Ao revés, os vinhos aqui degustados mostraram esplêndida relação custo x benefício, auferindo pontuações elevadas na prova às cegas, e com preços amigáveis (valores coletados à época de fechamento da edição, podem sofrer variações).

Os tintos de Pinot Noir têm, em geral, uma consistência rala, com pouco corpo e menor densidade de cor, de pigmentos e de antocianos. Além dos métodos de vinificação, contribuem para isso o tamanho dos bagos dessa uva, graúdos, que oferecem menos casca para mais polpa. Isso, ao lado de uma maceração even- tualmente mais curta, acaba por render vinhos mais claros e menos densos.


SOFISTICAÇÃO

A Pinot Noir, entretanto, prova que corpulência não é documento e seus vinhos têm suficiente acidez, alcoolicidade e taninos para um longo e majestoso pro- cesso de envelhecimento, especialmente em garrafa, na adega. Poucos vinhos adquirem tanta complexidade e sofisticação aromática quanto um bom Pinot velho. Essa fama garante o sucesso da uva nos círculos restritos de iniciados. Por outro lado, paradoxalmente, seu corpo leve e a delicadeza geral de seu paladar, uma boa acidez e taninos em geral não muito rascantes tornam os varietais de Pinot Noir vinhos de fácil apreciação.

À mesa, os Pinot, como são chamados coloquialmente, figuram entre os tintos mais versáteis. Com menor densidade tânica, podem acompanhar pratos diante dos quais o consumo de um tinto muito encorpado e robusto pode parecer desafiador, como bacalhau, peixes em molho de tomate mais denso, embutidos salga- dos como salame, copa e presunto cru, por exemplo, carnes defumadas etc.

Fora da Borgonha, sua região de origem (e, naturalmente da Champagne, onde é vinificada para espumatização), a Pinot Noir vem se aclimatando bem em diversas regiões frias pelo mundo.

Na Alemanha, região de proveniência do vinho que melhor nota obteve nesta degustação, é a tinta que dá melhor resultado, em grandes e muito pouco conhecidos vinhos. Também tem apresentado bons frutos na Nova Zelândia (não há nenhum exemplar neo-zelandês em nossa degustação); no Estado norte-americano do Oregon; na Califórnia (em especial no Russian River Valley, que comparece com dois belíssimos e bem pontuados exemplares a esta prova); nos vales mais frios do Chile, como San Anto- nio e Casablanca; e no Brasil, que, ao contrário do que se imagina em um primeiro contato, pratica uma vitivinicultura de clima frio, principalmente na Serra Gaúcha. Descubra as delícias da Pinot Noir cultivada fora de sua terra natal.


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