• Vinho Magazine

Vinho na pandemia

Os negócios do vinho mudaram em 2020, talvez para sempre. Consumo doméstico e dólar em alta apontam as tendências para o futuro


Por: Zoraida Lobato



O ano de 2020 será um divisor de águas para o mercado de vinhos no Brasil. Apesar de todos os problemas que estamos enfrentando, o setor vem batendo recordes de vendas. Vai ser um desafio para os produtores, importadores e toda a cadeia produtiva segurar esse novo consumidor quando a situação voltar ao normal.

A pandemia trouxe várias mudanças de comportamento que vieram para ficar, os home-offices e o #ficaremcasa, levaram as pessoas a redescobrir o prazer de cozinhar, de saborear uma refeição com calma, com um bom vinho. Um grande passo.

De acordo com a Ideal Consulting, a comercialização mensal da bebida em julho deste ano alcançou 63,4 milhões de litros –três vezes mais que o mês de março, com 21,3 milhões. Foram os meses em que o isolamento social foi mais forte no país. De janeiro a agosto, foram 313,3 milhões de litros, 37% mais que no mesmo período do ano passado.

Com bares e restaurantes fechados, o vinho ganhou o status de divertimento em casa, degustações online e o vinho como motivo para esses encontros. Asssim, rompendo paradigmas sobre o momento e o motivo de quando e onde degustar vinho.

O brasileiro, que tinha o habito genérico e majoritário de comprar vinho para ocasiões especiais, jantares etc., descobriu que ele é perfeito para qualquer hora, qualquer dia.

Com o aumento do dólar, o grande destaque foi o vinho nacional, que ganhou maior espaço: teve espantoso crescimento de 93%.

Ainda hoje o vinho brasileiro mais vendido é o vinho de mesa, 64%, o vinho feito de uva não vinífera.

Nesse período de pandemia, em função da alta do dólar, os vinhos importados perderem uma parte do market share: 32% para 27% do mercado.

A moeda americana teve um aumento de 40% trazendo muita dificuldade para a importação.

Mas os importados não ficaram parados. Portugal saiu na frente, sob a tutela do renomado consultor Carlos Cabral, através da Vinhos de Portugal, associação que teve seu presidente Frederico Falcão a frente de uma promoção em conjunto com 2.500 estabelecimentos comerciais de todo o país. Supermercados de todos os tamanhos investiram em comunicação visual dentro desses espaços, treinaram virtualmente aproximadamente 3500 profissionais, realizaram promoções especiais com a intenção de manter e ou aumentar o crescimento das vendas dos vinhos portugueses. Até agosto de 37%, as vendas de vinhos portugueses alcançaram a casa de 1,7 milhão de caixas, ou o equivalente aproximadamente a 33 milhões de dólares. Uma grande campanha publicitária suportou o projeto, dando maior visibilidade aos produtos dentro dos supermercados e lojas.

Mas não foi só nos pontos de venda tradicionais que o vinho cresceu.

A venda online ganhou mercado, cresceu 50% de acordo com o site Evino. E a tendência é manter o crescimento.O brasileiro na pandemia aprendeu a comprar usando a Internet como meio de compra. Perdeu o medo, passou a confiar. Descobriu que o produto chega.

O consumo de vinhos no Brasil ja vinha aumentando, principalmente no grandes centros. Para 2020 a estimativa da Ideal Consulting é que o consumo bata o recorde e se aproxime de 2,8 litros per capita/ano.

A inglesa Cult Wines, especilizada em investimentos em vinhos premium, acaba de lançar os Top 10 melhores vinhos para investimento.

Quem comprou esses vinhos e teve paciência de guardar, e não os bebeu tem em mãos uma

verdadeira mina de ouro. Alguns desses vinhos chegam a proporcionar 700% de retorno financeiro, redimento superior ao de acões, ouro, imóveis e qualquer outro tipo de investimento.

Quem comprou um Armand Rousseau Chambertin 2000 da Borgonha em 2009 pagou US$ 440. Em 2019 essa garrafa pode ser vendida por US$ 3,683.00, com um retorno de 737%…

O Domaine Leroy Musigny 2001, da Borgonha, em 2009 custava US$ 4,000.00. Em 2019 valeria US$ 26,780.00, com ganho da ordem de 570%!

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